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O drama de Gary Neville: «Em seis meses perdi tudo»

Written by on 30/01/2019

Antigo craque do Manchester United sofreu uma depressão e chegou a ser seguido por um psicólogo, em segredo

KIEV, UKRAINE – JUNE 14: XXX of England during a UEFA EURO 2012 training session at the Olympic Stadium on June 14, 2012 in Kiev, Ukraine.

Gary Neville é mais um jogador a reconhecer que passou por uma depressão. O antigo internacional inglês, que vestiu a camisola do Manchester United durante toda a carreira (entre 1990 e 2011) admitiu numa entrevista à ‘Sky Sports’ que chegou a pedir ajuda a um psicólogo, mas que só há pouco tempo o confessou publicamente.

O antigo defesa dos red devils, hoje com 43 anos, conta que tudo aconteceu num período de seis meses, que culminou com um mau desempenho da Inglaterra no Europeu de 2000.

“Passei por um mau bocado. Tinha acabado uma relação de 7 anos e fui responsável pelos dois golos que sofremos no Mundial de Clubes, onde acabámos por ser eliminados. Isto aconteceu antes do Euro 2000, as pessoas provavelmente não se lembram, mas eu fui ao fundo. Entrava em campo desconcentrado, a pensar em outras coisas”, conta o antigo craque.

“Não queria a bola, estava com falta de confiança, não sabia quando voltaria a fazer um bom jogo ou um bom passe. Perdi tudo num período de 6 meses, precisava urgentemente das férias do verão”, acrescentou Neville.

As férias ajudaram. “Lembro-me de ter tido uma espécie de bloqueio durante quatro semanas, em que não fiz nada, simplesmente ‘desliguei’ a minha cabeça. Depois, mentalizei-me que tinha de trabalhar como nunca tinha feito na vida. No primeiro dia da pré-época comecei a fazer sessões triplas de treino, mais massagens, mais alongamentos, mas pesos… O primeiro jogo da época correu bem, não cometi erros, e a partir daí as coisas melhoraram.”

Mas Neville não fez isto tudo sozinho. “Durante aqueles 6 meses tive o acompanhamento de um psicólogo, que me ajudava a simplificar as coisas. Ele dizia-me ‘abranda a tua mente, pensa em coisas simples’.”

Só há três anos o antigo jogador reconheceu ter tido a ajuda de um psicólogo. “Hoje em dias as coisas são diferentes, mas há 20 anos, se alguém falasse de saúde mental ou em depressão num balneário, toda a gente se ria. Não contei a ninguém, se o tivesse feito teria sido encarado como sinal de fraqueza, não apenas na vida, mas também no futebol.”

Neville não quis falar com os companheiros, mas falou com o médico dos red devils. “As pessoas não se sentem confortáveis em levar os seus problemas para o seu local de trabalho. E também não ia falar com o treinador e dizer-lhe ‘sinto-me em baixo, estou sem confiança’, afinal é ele quem escolhe a equipa… A quem podia então recorrer? A pessoa mais confiável num clube de futebol é o médico. Ele aconselhou-me a ir a um psicólogo e eu fui. Via-o como uma pessoa com quem podia falar e ajudar-me a entender os meus sentimentos.”


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