O leitor perguntou: Afinal, por que gostamos tanto de comer chocolate?

Written by on 12/02/2019

A resposta pode parecer simples – ‘porque sabe bem’. Mas, a ciência diz que a resposta certa vai muito mais além…

O nosso gosto por chocolate tem a ver com uma determinada relação entre gorduras e hidratos de carbono, às quais somos apresentados logo no início da vida, segundo uma reportagem divulgada pela BBC News.

Os amantes de chocolate dificilmente abrem um tablete e conseguem contentar-se em comer apenas um quadrado, acabando muitas vezes por devorar a barra inteira. E isso também ocorre com outros alimentos.

Mas o que faz com que alguns alimentos sejam tão irresistíveis? E que características o chocolate compartilha com outros alimentos que simplesmente não conseguimos dizer “não”?

A ciência explica

O chocolate é feito a partir de grãos de cacau, cultivados e consumidos nas Américas há milhares de anos.

Os Maias e Astecas criaram uma bebida de cacau chamada xocolatl, que significa ‘água amarga’. Isso porque, in natura, os grãos de cacau são bastante amargos.

Para chegar ao grão, primeiro é necessário retirar a casca grossa do cacau, libertando uma polpa de sabor intenso. Conhecida como baba de cacau, é doce, ácida e bastante pegajosa.

Seguidamente, os grãos e a polpa são colocados para fermentar durante vários dias, antes de serem secos e torrados.

Ao serem torrados, expelem uma variedade de compostos químicos, incluindo o ácido 3-metil-butanoico, que por si só tem um odor rançoso, e o dimetil trissulfeto, com cheiro de repolho cozido em excesso.

A combinação dessas e outras moléculas de aroma cria uma assinatura química única que o cérebro humano adora.

Mas os cheiros e as memórias felizes da juventude que esses odores provocam são apenas parte da atração do chocolate.

O chocolate contém uma série de substâncias químicas psicoativas, que incluem a anandamida, um neurotransmissor cujo nome vem do sânscrito – ‘ananda’, que significa ‘alegria, felicidade, prazer’. Sendo que as anandamidas estimulam o cérebro da mesma forma que a canábis.

O alimento contém ainda tiramina e feniletilamina, ambas com efeitos semelhantes às anfetaminas.

Além disso, nota-se igualmente a presença de pequenos vestígios de teobromina e cafeína, conhecidos estimulantes.

A combinação ‘mágica’: açúcares mais gorduras

Então, o que tem o chocolate?

É caraterizado também por uma viscosidade cremosa. Quando o tira da embalagem e coloca um pedaço na boca sem morder, vai notar que rapidamente se derrete na língua, deixando uma sensação prolongada de suavidade.

Recetores nas nossas línguas detetam essa mudança de textura, que, então, estimula os sentimentos de prazer.

Mas o que realmente levou o cacau – uma bebida amarga e aquosa – a se transformar no doce que adoramos hoje, foi a adição de açúcar e gordura.

O acréscimo da quantidade certa de cada um desses elementos é crucial para a apreciação do chocolate. Por exemplo, uma embalagem de chocolate de leite e normalmente contém cerca de 20-25% de gordura e 40-50% de açúcar.

Na natureza, tais níveis elevados de açúcar e gordura são raramente encontrados – pelo menos juntos…

Agora já entende por que é tão difícil dizer que não àquele tablete de chocolate guardada no armário da cozinha ou na gaveta do escritório – desfrute, mas com moderação!


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