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Três anos/Governo: Santa-catarinenses dizem que não têm visto as promessas de campanhas eleitorais

Written by on 23/04/2019

Um grupo significativo da população de Santa Catarina (ilha de Santiago), sobretudo da camada jovem revelou-se hoje céptico quanto ao cumprimento das promessas de campanha eleitoral feitas pelo Governo que já vai no seu terceiro ano de mandato.

A propósito do terceiro ano de mandato do Governo do Movimento para a Democracia (MpD), liderado por Ulisses Correia e Silva, que se completa esta segunda-feira, a Inforpress saiu à rua para auscultar a opinião da população sobre a governação deste partido que venceu as eleições legislativas de 20 de Março de 2016 com maioria absoluta.

Jovens, que não quiseram ser identificados, falaram, contudo, com o repórter da Agência de Notícias de Cabo Verde (Inforpress) fazendo questão de sublinhar que “não têm cor política”, mas que seguem com “atenção” os acontecimentos do país.

E foram unânimes em afirmar que o Governo tem “falhado” na política para a juventude, “tendo ficado apenas em promessas”, enfatizaram.

A título de exemplo elencaram placas desportivas, emprego, campo relvado e bolsas de estudo, como “promessas” que, segundo dizem, não vão ser materializadas nos dois últimos anos que restam da governação, tal como foi badalado durante a campanha eleitoral.

Aliás, conforme afirmam, são as “promessas eleitorais não cumpridas” [dos sucessivos governos] que os vai afastar da política. Muitos até avançaram que não vão exercer o seu direito de voto nas próximas eleições e que vão incutir nos familiares para fazerem o mesmo.

Para os entrevistados da Inforpress está-se a fazer “confusão” no que tange ao emp

Para os entrevistados da Inforpress está-se a fazer “confusão” no que tange ao emprego ou trabalho, realçando que os “trabalhos temporários” disponibilizados pelas câmaras municipais no âmbito do plano de mitigação e que se traduziram em algumas obras locais, não deveriam contabilizar nos dados estatísticos.

A conversa deste grupo de jovens com a Inforpress ocorreu num clima de descontração, no momento em que os mesmos se encontravam sentados a discutir futebol português.

Conforme afirmaram, preferem ir à pesca, vender saldos das empresas de comunicações, praticar actividades de lazer e desportivas, (…) até mesmo trabalhar numa loja chinesa do que trabalhar por “menos que 300 escudos por dia” pagas pelas autarquias.

Por seu turno, jovens já licenciandos, mas ainda no desemprego, mostraram-se “insatisfeitos” com a forma como se está a seleccionar os jovens para o Programa de Estágio Profissional (PEP) e lamentaram, por outro lado, o facto de estarem a encontrar “muitas barreiras burocráticas” no que tange ao programa de financiamentos dos seus projectos para o “tão propalado” empreendedorismo jovem.

Elevando um pouco a fasquia etária, a Inforpress ouviu também a opinião do e um ex-preso político que passou pelas masmorras do ex-Campo de Concentração do Tarrafal.

Fernando Tavares, que se identificou como sendo militante do maior partido da oposição (subtende-se, o PAICV), considerou o Governo em funções de “um inimigo de Cabo Verde” por estar a “vender” o país, referindo-se aos portos e aeroportos que, conforme afirma, encontraram erigidos, “mas não tiveram a capacidade técnica para geri-los”.

Conforme Fernando Tavares, não vê “nada de realce” em nenhum sector e diz que cabe à juventude cabo-verdiana tomar medidas, tendo em conta que são os jovens que estão no desemprego.

Aliás, fez questão de sublinhar que os tais 45 mil postos de trabalho prometidos pelo Governo ainda não chegaram a Santa Catarina.

Para ele, a comunicação social não tem feito o seu papel de informar os cabo-verdianos sobre a real situação por que passam as famílias, tanto de Santa Catarina como de outros concelhos e ilhas, sobretudo aquelas que se dedicam à prática da agricultura.

Segundo Fernando Tavares, em Santa Catarina o desemprego está ao “mais alto grau”, (…) as que pessoas não estão a colocar comida na mesa (…) as ribeiras estão completamente abandonadas e, tendo em conta que “somos um país” que vive da prática da agricultura e criação de gado, não há como deixar de apontar esses aspectos como sendo “falhas” do executivo nesse sector.

Já os pescadores da vila piscatória de Ribeira da Barca, ao ser abordados pela Inforpress falam em “abandono” do sector das pescas onde, segundo disseram, há falta de gelo e de câmara de frio para conservação do pescado, de materiais para pesca artesanal, “e nenhum apoio para a renovação dos botes e aquisição de motores de popa”.

A Inforpress quis ouvir também os idosos, mas estes limitaram-se apenas em dizer que “estão satisfeitos com o aumento da pensão social”, advertindo, contudo, o Governo, para que cumpra com a sua promessa de aumentá-la ano a ano.

Pessoas de faixas etárias intermédias, também abordadas pela Inforpress, não quiseram ser identificadas, mas foram unânimes em afirmar que o Governo “não vai cumprir” com as promessas eleitorais, sobretudo no que tange ao emprego [45 mil postos de trabalho], tendo em conta que faltam apenas dois anos para o fim do mandato.

Entretanto, não quiseram falar da “corrupção”, mas dizem que há muitos casos de “nepotismo” e um “fraco desempenho” por parte de alguns membros do Governo.

“Se fosse noutros outros países como Europa, esses eram demitidos, mas cá continuam no cargo e a “prejudicar” o desenvolvimento do país”, lamentam.

No entanto, reconhecem que a nível do concelho existe, neste momento, um “bom relacionamento” entre o Governo e Câmara Municipal, mas questionam sobre a prioridade dada a umas localidades em detrimento de outras para receber alguns investimentos.

Fonte: Sapo.cv


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