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1.º Maio: Violência e festa cabem na mesma manifestação em Paris

Written by on 01/05/2019

Entre a violência e a festa, na manifestação do 1.º de Maio em Paris cabe um pouco de tudo.

Amanifestação do 1.º de Maio arrancou com confrontos com a polícia, a utilização de gás lacrimogéneo e carros incendiados, mas do outro lado da rua há música, conversas cruzadas e reivindicações ainda à espera de resposta.

Dois turistas britânicos arrastam as malas entre uma linha de polícias franceses e manifestantes vestidos de negro, com cara tapada, os denominados ‘black blocs’.

Enquanto os dois britânicos tentam explicar à polícia, em inglês, que só querem passar para ir apanhar o avião, uma “colete amarelo” grita: “Que belo souvenir de Paris!”.

Mesmo antes do início oficial da manifestação do 1.º de Maio que atravessa hoje a margem esquerda da capital francesa e junta o movimento dos “coletes amarelos” às forças sindicais, grupos de indivíduos vestidos de negro e de cara tapada iniciaram confrontos com a polícia atirando garrafas de vidro e latas de cerveja contra as forças da ordem.

A resposta não se fez esperar, com a polícia a carregar sobre os manifestantes. No entanto, no meio destes confrontos, muitos “coletes amarelos” apanhados entre o fogo cruzado tentavam acalmar os dois lados.

“Parem de atirar garrafas, também estamos aqui!”, gritavam uns, ou “deixem passar esta avozinha!”, pediam outros “coletes amarelos” à polícia.

Neste cruzamento da Boulevard Montparnasse, e depois de a polícia ter deixado passar alguns manifestantes para as ruas adjacentes, os ‘black blocs’ incendiaram uma viatura da polícia e tentaram erguer algumas barricadas. No entanto, e com recurso a gás lacrimogéneo, a polícia conseguiu travar a intenção.

Apesar das buscas aleatórias e interceção de carros à entrada de Paris, assim como os avisos e contactos das polícias estrangeiras que davam como certa a presença de diversos elementos que pretendiam infiltrar-se na manifestação, os ‘black blocs’ são visíveis em todo o cortejo.

Já junto às centrais sindicais, nomeadamente a CGT e a Force Ouvrière, o clima é animado com música e as tradicionais palavras de ordem da festa do trabalhador.

“Eu estou com os ‘coletes amarelos’ e com a CGT. Queremos todos a mesma coisa. Vivemos todos a mesma revolta. Queremos a revalorização dos salários, elevar os mínimos sociais. Não é que as medidas da última semana não tenham sido nada, mas não chegam para travar o movimento”, disse Michelle, vestida de ‘colete amarelo’ e com autocolantes da CGT, em declarações à Lusa, lembrando os anúncios feitos pelos Presidente Emmanuel Macron para tentar travar os protestos do movimento.

Esta parisiense, funcionária do Ministério das Finanças, considera que há “uma crise profunda em França” e denuncia uma “repressão extraordinária”.

“Estamos a viver uma verdadeira revolta! Este 1.º de Maio é feito no meio de uma crise social, portanto é diferente, mas já no ano passado tinha havido problema com os ‘black blocs’. Eu vi-os bem e a polícia não fez nada! Neste momento, a violência é quase normal”, afirmou.

O longo cortejo encaminha-se agora para a Praça d’Italie onde deverá terminar por volta das 18:00 locais (17:00 em Lisboa).

Segundo o Ministério do Interior, 16 mil pessoas estão a manifestar-se em Paris, e no total noutras concentrações em todo o país foram registados 151 mil manifestantes.


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