Primeiro avião ATR para ligar ilhas e ‘hub’ do Sal já chegou a Cabo Verde

Written by on 01/08/2019

A primeira aeronave ATR que vai garantir ligações aéreas diárias entre a ilha cabo-verdiana do Sal, onde está instalado o ‘hub’ da Cabo Verde Airlines (CVA), e as ilhas de Santiago e São Vicente chegou terça-feira à Praia.

A informação foi avançada ontem, em declarações à agência Lusa, pelo presidente e diretor executivo da CVA, Jens Bjarnason, acrescentando que a aeronave – modelo ATR 42-320 – fica colocada em Cabo Verde em contrato de locação.

Com capacidade para 48 passageiros, será operada pela companhia portuguesa Leasefly, “parceira” da CVA no processo de instalação do ‘hub’ internacional aéreo na ilha do Sal.

“A permissão para operação [da aeronave ATR42-320] está em processo de licenciamento da Autoridade de Aviação Civil de Cabo Verde (…) Vamos começar com uma aeronave, é possível que mais aeronaves sejam adicionadas posteriormente”, afirmou Jens Bjarnason, à Lusa.

De acordo com o presidente da CVA, este primeiro ATR4-320 será utilizado “na ligação diária com o ‘hub’”, que quando estiver em pleno funcionamento envolverá quatro voos ao início da manhã: entre o Sal e a cidade da Praia (capital, ilha de Santiago) e regresso, e ainda entre o ‘hub’ do Sal e São Vicente, com regresso ao Sal.

Esses quatro voos vão repetir-se diariamente, ao início da noite, entre o Sal e a Praia, regressando ao Sal, e depois entre o Sal e São Vicente, também com regresso ao ‘hub’.

Jens Bjarnason acrescentou que a companhia está nesta altura “concentrada” na implementação do conceito do ‘hub’ internacional no Sal, explicando que a operação doméstica está a cargo de uma “parceria do consórcio que inclui a CVA, Leasefly e uma empresa de distribuição”.

Atualmente, as ligações aéreas inter-ilhas são asseguradas apenas pela companhia Binter, mas o Governo cabo-verdiano tem insistido que o mercado está aberto a novas operadoras.

A Lusa noticiou na semana passada que a CVA transportou 40.857 passageiros entre março e maio, logo após a venda da posição maioritária do Estado cabo-verdiano, um aumento homólogo de 30%, e prevê alargar as ligações internacionais a Luanda e Washington.

Os números avançados então à Lusa pelo presidente e diretor executivo da CVA, Jens Bjarnason, comparam, acrescentou, com os 31.421 passageiros transportados nos mesmos três meses de 2018.

“O desempenho da Cabo Verde Airlines, até agora, está de acordo com o plano de negócios desenvolvido antes da compra da participação”, acrescentou Jens Bjarnason.

Em março, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da companhia aérea nacional TACV por 1,3 milhões de euros à Lofleidir Cabo Verde, uma empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF e em 30% por empresários islandeses com experiência no setor da aviação.

Para o Governo cabo-verdiano, a alternativa à privatização seria a sua liquidação, a qual custaria mais de 181 milhões de euros.

“O desempenho da empresa atendeu às expectativas dos investidores islandeses, que estão ansiosos para continuar a expansão da companhia aérea”, afirmou ainda Jens Bjarnason.

A frota atual da CVA é composta por três Boeing 757-200, com a companhia aérea cabo-verdiana a garantir ligações do arquipélago para Dakar, Lisboa, Paris, Milão, Roma, Boston, Fortaleza, Recife e Salvador.

Entretanto, a CVA prevê reforçar a frota com dois adicionais Boeing 757-200 a partir de novembro, garantiu Jens Bjarnason, bem como alargar as ligações internacionais da companhia, até final do ano, a Luanda, Washington, Lagos e Porto Alegre.


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