Urgência em produzir vacina contra peste suina sobe na Ásia

Written by on 20/08/2019

Cientistas na Ásia e nos Estados Unidos estão a trabalhar para desenvolver uma vacina contra a peste suína africana, que já matou milhões de porcos na China e países vizinhos, desestabilizando as cadeias globais de fornecimento.

Adoença, que desde o verão passado se propagou na China e criou efeitos inflacionários a nível mundial, está agora a alastrar-se aos países vizinhos, intensificando-se a busca por uma solução.

Só o continente chinês é responsável por metade da produção mundial de carne de porco. Vietname, Laos ou Taiwan começaram também a registar surtos da doença nos últimos meses.

Nos EUA, cientistas de departamentos governamentais estão a estudar uma possível vacina, que é feita a partir da exclusão de genes selecionados no vírus.

“A situação atual, quando existe uma ameaça global, coloca muito mais ênfase nesta pesquisa”, afirmou Luis Rodriguez, que lidera o laboratório do governo norte-americano para doenças animais na ilha Plum, em Nova Iorque.

Uma forma de desenvolver a vacina é matar o vírus antes de injetá-lo num animal: o vírus morto não deixa o animal doente, mas faz com que o sistema imunológico identifique o vírus e produza anticorpos.

Esta abordagem, no entanto, não é eficaz com todos os vírus, incluindo o que causa a peste suína africana.

Por isso, os cientistas têm trabalhado antes num tipo de vacina feita a partir de um vírus enfraquecido, em vez do vírus morto. A dificuldade tem sido descobrir exatamente como ajustar o vírus.

A peste suína africana não é transmissível aos seres humanos, mas é fatal para porcos e javalis e altamente contagiosa.

A atual onda de surtos começou na Geórgia, em 2007, e espalhou-se pela Europa do Leste e Rússia, antes de chegar à China, em agosto passado.

Inicialmente, Pequim insistiu que estava tudo sob controlo, mas os surtos acabaram por se alastrar por todo o país e aos países vizinhos.

Apenas a ilha de Hainan, no extremo sul da China, e as regiões administrativas especiais de Macau e HongKong, não registaram ainda casos.

No Vietname, onde o vírus matou 3,7 milhões de porcos em seis meses, o governo disse este verão que está a testar vacinas, mas forneceu poucos detalhes.

Na China, o Governo revelou que os cientistas estão a trabalhar numa vacina que altera geneticamente o vírus – a mesma abordagem dos cientistas norte-americanos.

O Departamento de Agricultura dos EUA disse que assinou recentemente um acordo confidencial com um fabricante de vacinas para pesquisar e desenvolver uma das três vacinas candidatas na ilha Plum.

Mas antes que uma vacina se torne disponível, terá que ser testada em grandes quantidades de porcos, em instalações seguras, num processo que leva entre dois e cinco anos.

Nos anos 60, Portugal testou vacinas após surtos de peste suína africana. Os porcos pareciam melhorar no início, mas depois surgiram lesões na pele e artrite bloqueou as articulações, impedindo que os animais engordassem.

Portugal acabou por erradicar a doença reforçando os protocolos sanitários e colocando em quarentena ou matando porcos infetados e portadores do vírus.

A carne de porco é parte essencial da cozinha chinesa, compondo 60% do total do consumo de proteína animal no país. Dados oficiais revelam que os consumidores chineses comem 55 milhões de quilos de carne de porco por ano, de longe o maior mercado do mundo.

Os fornecedores chineses estão a preencher a lacuna com o aumento das importações, implicando uma reorganização dos mercados de proteínas globais e o aumento dos preços na Ásia e na Europa.

As autoridades chinesas autorizaram, desde o final do ano passado, os matadouros portugueses Maporal, ICMPork e Montalva a exportar para o país.

Estimativas iniciais apontavam que as exportações portuguesas para China se fixassem em 15.000 porcos por semana, movimentando, no total, 100 milhões de euros.

Visto pelos produtores portugueses como o “mais importante” acontecimento para a suinicultura nacional “nos últimos 40 anos”, a abertura do mercado chinês deverá agora ter efeitos inflacionários em Portugal.


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