Cabo Verde tem mostrado “juizo e bom senso” na gestão dos recursos

Written by on 08/10/2019

O professor de Economia Africana do ISEG, em Lisboa, considerou hoje que os vários governos de Cabo Verde têm mostrado “juízo e bom senso” na gestão dos recursos e elogiou a qualidade dos recursos humanos no arquipélago.

Cabo Verde é um país que, desde a independência, em 1975, tem mostrado um grau de seriedade e de empenhamento na transformação dos poucas condições internas que tem, que é de destacar e é destacado por qualquer instituição internacional”, disse o economista e professor no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) em Lisboa Manuel Ennes Ferreira.

Em entrevista à Lusa antecipando a conferência que a agência Lusa vai realizar na sexta-feira, na Cidade da Praia, em Cabo Verde, sobre o futuro da economia do arquipélago, o especialista em economia africana elogiou o empenho dos vários governos no bem comum.

“O país não tem os tradicionais recursos africanos, mas tem dois recursos, que são os recursos humanos, com um grau de qualificação bastante acentuado, resultantes da emigração, e o outro é o juízo e bom senso que tem mostrado; não basta estar a governar, há que ter empenho e seriedade no que se está a fazer e perante as dificuldades, independentemente dos governos que se foram sucedendo, há um apego ao país e uma vontade de transformar realisticamente a situação”, argumentou.

Para Manuel Ennes Ferreira, a aposta no turismo é inevitável, porque é a única indústria capaz de garantir o crescimento económico sustentado, mas é possível melhorar e continuar a inovar para captar novos clientes.

“No que diz respeito às atividades internas de empresários locais neste setor, é subaproveitado porque os pacotes são completamente vendidos no externamente e depois todo um conjunto de atividades ligadas ao turismo de componente nacional não são tão desenvolvidas por causa destes pacotes vendidos no exterior”, lamentou, defendendo que o panorama deve ser diferente.

“Devia haver uma forma de obrigar, entre aspas, que o contributo local fosse maior, porque a riqueza fica lá, e ajuda a combater o desemprego, que se nos adultos está nos 12 ou 13%, entre os jovens, um dos grandes problemas dos países africanos, está na casa dos 25%”, acrescentou.

Para além disto, o professor de Economia Africana defendeu ainda que uma parceria especial com a União Europeia seria mais vantajosa para Cabo Verde do que um aprofundamento da relação na CEDEAO, a região africana em que o arquipélago está inserido.

“A insistência com que se vai referindo a importância da inserção da economia de Cabo Verde naquela região da África é um facto, mas não sei se será tão estimulante assim a possibilidade de ter obter ganhos muito visíveis para o país por via dessa inserção”, argumentou, contrapondo: “Já em tempos Cabo Verde tentou negociar um estatuto mais especial com a União Europeia, não sei de que forma mas penso que pode haver alguma alternativa de um estatuto como aquele que no passado se procurou ter e tentar arranjar alguma forma de isso vir a ser concretizado, seria um estímulo bastante grande para o país”.


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