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Rússia quer duplicar trocas comerciais com África em cinco anos

Written by on 23/10/2019

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse hoje na abertura da Cimeira Rússia-África que quer pelo menos duplicar as trocas comerciais com o continente nos próximos cinco anos, destacando o potencial de crescimento dos países africanos.

“Estamos a exportar atualmente 25 mil milhões de dólares [22,5 mil milhões de euros] por ano em alimentos, o que é um valor maior do que o que resulta da venda de armas, que representam 15 mil milhões [13,5 mil milhões de euros]”, disse o governante russo, acrescentando querer, “pelo menos, duplicar essas trocas nos próximos quatro ou cinco anos”.

As declarações de Putin foram feitas no discurso oficial de abertura da Cimeira Rússia-África, que decorre na cidade costeira de Sochi, na Rússia, perante dezenas de chefes de Estado e governantes africanos, entre os quais os presidentes de Angola, Moçambique e Cabo Verde.

“Em África, há muitos parceiros potenciais com boas perspetivas de desenvolvimento e um enorme potencial de crescimento”, apontou o líder russo, vincando que é sua intenção “fortalecer a presença do Estado russo” no continente.

No discurso, Putin lembrou ainda que perdoou 20 mil milhões de dólares (18 mil milhões de euros) em dívidas dos países africanos e mostrou-se esperançado num aumento das trocas comerciais entre os dois blocos, das quais 40% são feitas com o Egito.

O homólogo egípcio de Putin, Abdel Fattah al-Sisi, Presidente em exercício da União Africana, foi o aliado estratégico escolhido pelo Presidente russo para coliderar a cimeira, numa fórmula diplomática que reproduz os “Fóruns de Cooperação Sino-Africana” que, desde 2000, têm permitido a Pequim tornar-se o principal parceiro do continente.

Em 20 anos no poder, Vladimir Putin apenas fez três viagens à região da África subsaariana, sempre com a África do Sul no centro de cada um dos roteiros, mas chegou a altura de demonstrar que os interesses africanos ocupam uma parte importante das preocupações do Kremlin.

O chefe de Estado russo, numa entrevista divulgada no início da semana, cita como prova do compromisso de Moscovo com a região a “cooperação militar e de segurança”, a ajuda no combate ao vírus Ébola, a formação de “quadros africanos” pelas universidades russas, garantindo que os projetos russos em África são caracterizados pela ausência de ingerência “política ou outra”.

África é um “continente importante”, com o qual Moscovo mantém “relações tradicionais, históricas e íntimas”, sublinhou hoje, à comunicação social, Dmitry Peskov, porta-voz de Putin, numa referência à antiga União Soviética.

Entre os participantes, estão os presidentes de Angola, João Lourenço, de Moçambique, Filipe Nyusi, e Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, enquanto São Tomé e Príncipe se faz representar pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Elsa Pinto.


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