Idai. Moçambique vai receber 20 mil euros de campanha cabo-verdiana

Written by on 02/12/2019

Cerca de 20 mil euros foram angariados até agora por uma campanha de Cabo Verde para ajudar a reconstrução em Moçambique, depois do ciclone Idai, disse a primeira-dama cabo-verdiana, Lígia Fonseca, no sábado, nos Estados Unidos.

Odinheiro juntado pela campanha “Beira No Coração” será atribuído por inteiro a um projeto de reconstrução em Moçambique, a anunciar no final do ano, disse Lígia Fonseca no sábado à noite, em Westport, em Massachusetts, num jantar de angariação de fundos para a localidade, uma das mais atingidas pelo ciclone Idai, em 14 de março deste ano.

O jantar de gala contou com mais de mais de 250 pessoas, entre as quais, os embaixadores de Cabo Verde e Moçambique nos Estados Unidos, Carlos Veiga e Carlos dos Santos, respetivamente, e o representante permanente de Cabo Verde junto das Nações Unidas, José Luís Rocha.

Lígia Fonseca, nascida em Moçambique e advogada de profissão, tem vindo a desenvolver há quase dez meses a campanha de angariação de fundos “Beira No Coração”, que começou em Cabo Verde, passou por Itália e Estados Unidos, e termina no final do ano.

“As ajudas que recolhemos serão destinadas a um projeto essencialmente ligado a crianças, que será devidamente informado a toda a gente”, garantiu.

“Para que toda a gente saiba que a sua ajuda chegou ao destinatário, no final desta campanha, no final deste mês, nós apresentaremos todas as contas dos fundos que conseguimos angariar e iremos dar sempre informação de onde estes fundos foram aplicados”, disse Lígia Fonseca.

Uma das possibilidades é também juntar as doações com outra associação e “entrar num projeto maior”, mas a primeira garantia é que “não haverá um cêntimo destes fundos que seja desviado ou que não seja aplicado efetivamente em Moçambique”, assegurou a responsável.

“Nestes meses de trabalho, devemos ter já cerca de 20 mil euros. Não é muito dinheiro, mas eu tenho a certeza absoluta de que fará muita diferença na vida de algumas pessoas”, revelou Lígia Fonseca à Lusa.

A campanha só junta dinheiro e não aceita materiais ou qualquer tipo de produtos, porque “não há possibilidade” de fazer chegar até ao destino final: “Recusamo-nos a receber qualquer coisa que nós não possamos levar aos seus destinatários”, sublinhou a advogada.

A primeira-dama cabo-verdiana recordou que ver as imagens da destruição causada e das vítimas que se tentavam proteger ou abrigar em cima de árvores “era terrível para qualquer pessoa”.

“Para mim”, acrescentou a responsável, “ver a terra, a cidade onde eu nasci completamente alagada, tentando eu descobrir o bairro onde eu vivia e não conseguir encontrar, porque estava tudo destruído, foram momentos muito, muito difíceis”.

O embaixador moçambicano para os Estados Unidos, Carlos dos Santos, declarou “um sentimento de profundo reconhecimento à primeira-dama de Cabo verde e aos cabo-verdianos”.

“O que acontece é que há sempre uma resposta generosa da comunidade internacional imediatamente após o desastre. Mas passado algum tempo, pensa-se noutros desastres, noutras causas e esquece-se que ainda não conseguimos ajudar a todos aqueles que precisam da nossa ajuda, onde houve a tragédia”, disse Carlos dos Santos.

A campanha teve a ajuda de muitas pessoas anónimas, associações com sede em Cabo Verde e comunidades cabo-verdianas no exterior, que realizaram atividades para a angariação de fundos, reconheceu a primeira-dama.

Nos Estados Unidos, o evento aconteceu por iniciativa da empresária Alzerina Gomes, um exemplo das pessoas que se juntaram ao movimento, e contou com momentos de espetáculo dos músicos Assol Garcia, Cândida Rose, Denis Mota, Desiree Fernandes, Maria de Barros e Roy Job.

“Ainda é necessário ajudar Moçambique. O processo de reconstrução do país ainda exige a nossa atenção, a nossa solidariedade”, disse Lígia Fonseca, no sábado, em Westport.

O ciclone Idai, que atingiu o centro de Moçambique em março, provocou 604 mortos e afetou cerca de 1,5 milhões de pessoas.

A intempérie provocou cheias intensas que arrastaram aldeias, pontes, estradas e outras infraestruturas, criando lagos gigantescos que levaram semanas a desaparecer.

Pouco tempo depois, em abril, o país voltou ser atingido por um ciclone, o Kenneth, que se abateu sobre o norte do país, matou 45 pessoas e afetou cerca de 250.000.


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