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China é o segundo maior destino para estudantes africanos

Written by on 13/12/2019

A China converteu-se, este ano, no segundo maior destino para estudantes africanos, depois de França, segundo um relatório apresentando hoje em Pequim, refletindo os crescentes laços económicos e comerciais entre o país e o continente.

Onúmero de estudantes africanos em universidades chinesas ascendeu a 50.000, face a menos de 3.000, em 2005, num crescimento suportado pelo “compromisso da China em oferecer bolsas de estudo a alunos” oriundos do continente, lê-se no documento, produzido pela unidade de investigação Center for China and Globalization.

Entre os países africanos de língua oficial portuguesa, Angola é o maior destino de origem: no total, mais de 200 estudantes angolanos, das áreas de engenharia, tecnologia ou agronomia formam-se anualmente no país asiático, com bolsas atribuídas pelo Governo chinês, segundo dados oficiais.

A China é atualmente o maior cliente do petróleo angolano e, depois de a guerra civil em Angola ter acabado, em 2002, tornou-se num dos principais atores da reconstrução do país, nomeadamente estradas, caminhos de ferro e outras infraestruturas.

A nível global, o país asiático é já o terceiro maior destino para estudantes estrangeiros, superado apenas pelos Estados Unidos e Reino Unido. O país asiático tem como meta receber meio milhão de estudantes oriundos de diferentes partes do mundo até 2020.

Os três países que mais beneficiam das bolsas de estudo chinesas são a Coreia do Sul, Tailândia e Paquistão. Todos os anos, o ministério chinês da Educação atribui também a estudantes portugueses 6 bolsas de estudo destinadas a cursos livres, gerais ou avançados, em todas as áreas.

O fenómeno reflete a “mudança na longa predominância dos países anglo-saxónicos no mercado do ensino superior” e a “abordagem da China para construir e comercializar o seu sistema de ensino superior como um destino (?) parte central da ambiciosa iniciativa ?Uma Faixa, Uma Rota'”, lê-se no relatório.

Lançado em 2013, pelo Presidente chinês, Xi Jinping, aquela iniciativa inclui a construção de aeroportos, centrais elétricas ou zonas de comércio livre, ao longo do sudeste asiático, Ásia Central, África ou Europa, visando redesenhar as vias comerciais mundiais, numa mudança na política externa de Pequim, que abdica de um perfil discreto para assumir inédita assertividade.

Cinco países de língua inglesa – Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia – continuam a receber anualmente metade dos cinco milhões de estudantes internacionais, mas a China recebe já 10% daquele fluxo.

O crescimento é suportado por uma generosa política de atribuição de bolsas de estudo, que é por vezes alvo de polémica, face ao subfinanciamento do ensino doméstico, sobretudo nos meios rurais.

Segundo um relatório do ministério chinês da Educação, publicado em 2018, o país reserva 3,3 mil milhões de yuan (442 milhões de euros) para os estudantes estrangeiros no país, um acréscimo de 16%, face ao ano anterior.

Mas a China é também o maior emissor de estudantes estrangeiros – mais de 662.000 chineses estudam fora do país, a maioria nos Estados Unidos e Reino Unido.


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