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Primeiro-ministro recusa partidarização da figura de Amilcar Cabral

Written by on 20/01/2020

O primeiro-ministro, Ulisses Correia, e Silva disse hoje que o Dia dos Heróis Nacionais é uma data de todos os cabo-verdianos e entendeu que não se deve partidarizar a figura de Amílcar Cabral.

“Não se deve partidarizar a figura de Amílcar Cabral, se quisermos que seja de facto uma representação da Nação cabo-verdiana. Quando falamos de Nação não estamos a falar de partidos políticos. E temos que chegar a esse ponto. Não é um património de nenhum partido político em particular, deve ser um património da Nação cabo-verdiana”, disse Ulisses Correia e Silva.

O primeiro-ministro falava na cidade da Praia, no final da tradicional cerimónia de deposição de uma coroa de flores no memorial em memória a Amílcar Cabral, ideólogo das independências da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.

O Dia dos Heróis Nacionais, feriado nacional, assinala o aniversário do assassinato de Amílcar Cabral, fundador do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), em 20 de janeiro de 1973, na Guiné Conacri, que deu lugar ao atual Partido Africano da Independência de Cabo Verde – PAICV, em Cabo Verde.

A data é mais ligada ao PAICV, atualmente na oposição, enquanto o 13 de janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia e que assinala a realização das primeiras eleições multipartidárias em Cabo Verde, em 1991, é mais associada ao Movimento para a Democracia (MpD, no poder).

O também presidente do MpD disse que o 20 de janeiro, tal como o 13 de janeiro, são duas datas que pertence a “todos” os cabo-verdianos, e não a nenhum partido político.

“É uma data de todos os cabo-verdianos, porque a figura de Amílcar Cabral é representativa desta Nação, e deve ser celebrada por todos, não só a nível das instituições, mas também a nível dos cidadãos”, prosseguiu o dirigente cabo-verdiano.

Neste sentido, Ulisses Correia e Silva instou os líderes partidários a comprometerem-se com esta clarificação, entendendo que só assim “muita coisa poderá ser alterada”.

“Depois é preciso que aquilo que pareça, seja, quer dizer que nas celebrações façamos que o país todo, a Nação toda sinta que de facto estamos perante uma representação da Nação e não uma representação partidária. Em segundo lugar, que não se tire proveito político-partidário de figuras que são nacionais e que representam muito para este país”, insistiu.

Questionado sobre a possibilidade de uma sessão solene no parlamento cabo-verdiano no 20 de janeiro, tal como acontece há quatro anos com o 13 de janeiro, Ulisses Correia e Silva referiu que as sessões são “muito restritivas”.

O governante lembrou que já há outra data importante e que também é representativa da história do país, em 05 de julho, dia a independência de Cabo Verde, que também é assinalada com uma sessão solene no parlamento.

Para assinalar o dia, o PAICV organiza uma cerimónia na ilha do Sal, presidida pela presidente do partido, Janira Hopffer Almada, que também vai depositar uma coroa de flores no jazigo de Aristides Pereira, primeiro Presidente da República de Cabo Verde (1975-1991), que morreu em setembro de 2011.

Há ainda várias atividades um pouco por todo o país, em que as comemorações centrais decorrem no município de Santa Cruz, interior da ilha de Santiago, organizadas pela Fundação Amílcar Cabral, em parceria com a Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria (Acolp) e a autarquia local.


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