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Coronavirus: Qual é o risco de viajar de avião e de transportes públicos?

Written by on 12/03/2020

Com a propagação crescente do novo coronavírus ou Covid-19 pelo mundo inteiro, as pessoas procuram tomar precauções em relação a viagens de avião e ao uso de transportes públicos.

Conforme avança uma reportagem divulgada pela BBC, na maioria dos casos, todos os vírus que afetam o trato respiratório são transmitidos pela via aérea ou pelo contacto das mãos com a boca ou com os olhos. Em situações que incluem desde respirar no mesmo ambiente ou tocar em algo que uma pessoa infetada tocou, por exemplo. Até ao momento, grande parte dos casos do novo coronavírus foram transmitidos entre pessoas que estiveram em contacto próximo, como familiares ou amigos e profissionais de saúde.

Tendo estas preocupações em mente a BBC decidiu falar com especialistas de modo a esclarecer dúvidas e preocupações sobre viajar de avião ou de transportes públicos:

Aviões

É normal que as pessoas pensam que correm um maior risco de adoecerem ao andarem de avião, isto porque estão fechados num espaço limitado durante várias horas, sem ventilação, e a respirarem ar ‘velho’ que não é fresco.

Mas, na verdade, o ar dentro de um avião pode muito bem ser de melhor qualidade do que num escritório, por exemplo — e quase certamente é melhor do que o ar que se respira num comboio ou num autocarro.

Apesar, de poder haver mais pessoas por metro quadrado a viajar num avião cheio, o ar está a ser trocado mais rapidamente. 

O professor Quingyan Chen, da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, que estuda a qualidade do ar em diferentes veículos de passageiros, estima que o ar num avião seja completamente substituído a cada dois a três minutos, comparativamente a uma taxa de 10 a 12 minutos num prédio com ar-condicionado.

Tal acontece, porque no interior de uma aeronave o ar que respiramos é limpo por um instrumento chamado filtro de ar particulado de alta eficiência (Hepa). Este sistema é capaz de capturar partículas menores do que aquelas que são capturadas pelos sistemas comuns de ar condicionado, incluindo vírus.

O filtro aspira ar fresco do lado de fora e o mistura com o ar já existente na cabine, o que significa que em determinado momento metade do ar é fresco e a outra metade não. Muitos sistemas comuns de ar condicionado apenas recirculam o mesmo ar para economizar energia.

Autocarros, metro e comboios

A BBC aponta que uma pesquisa de 2018 realizada em Londres pela especialista Lara Gosce, do Instituto de Saúde Global, constatou que as pessoas que usavam o metro regularmente estavam mais predispostas a sofrer sintomas semelhantes aos da gripe.

“A pesquisa mostrou que os bairros servidos por menos linhas de metro — onde os habitantes são obrigados a mudar de linha uma ou mais vezes — têm taxas mais altas de doenças semelhantes à influenza, comparativamente com os passageiros que chegam ao seu destino por uma viagem direta”, referiu.

Caso viaje de autocarro ou de comboio e estes estejam relativamente vazios, os riscos mudam. Também são fatores importantes o grau de ventilação dos veículos, a limpeza à qual são sujeitos, e quanto tempo passa lá dentro.

Gosce alerta que “é importante limitar o número de contactos próximos com indivíduos e objetos potencialmente infectados”.

“Em termos de viagem, evite as horas de ponta, se possível”, sublinha, sugerindo, sempre que viável, que os passageiros escolham rotas que envolvam apenas um meio de transporte.

Entretanto David Nabarro, consultor especial de coronavírus da OMS, disse em declarações à BBC que, embora seja importante ter em atenção o impacto de viajar em transportes públicos relativamente à propagação do novo coronavírus, até ao momento as provas científicas disponíveis sugerem que o tipo de “contacto breve” que as pessoas têm quando viajam juntas não parece, até agora, ser a “fonte mais importante de transmissão”.


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