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Covid-19: Lavadores de carro de São Vicente dizem-se sem alternativa e pedem ajuda às autoridades

Written by on 14/04/2020

Alguns lavadores de carros em São Vicente, que ficaram sem essa ocupação devido aos condicionamentos do estado de emergência e do novo coronavírus, dizem agora estar sem alternativa e pedem algum apoio às autoridades.

Esta é a situação vivida por mais de uma dezena destes jovens, que tinham a lavagem de carro como profissão e muitos deles desde criança.

É o caso do Fredson Lopes, que assegurou à reportagem da Inforpress que, desde os 10 anos, o estacionamento de lavagem de carros, nos arredores da praia da Laginha, no Mindelo, era praticamente a sua casa. E hoje já lá vão 11 anos.

“Eu vinha para a Laginha logo de manhã cedo e só voltava para casa por volta das 18:00, para me deitar”, explicou o jovem, que neste momento disse estar sem “aposento e ganha-pão”, uma vez que a polícia, perante as medidas de contenção do covid-19, os proibiu de lavar carros e sempre que os vê na zona os faz circular.

Fredson Lopes assegurou entender o posicionamento das autoridades policiais, mas não sabe o que fazer com a “situação difícil” agora vivida.

“Temos é que ir desenrascando, tentando algum afazer ou pedindo alguma comida para as pessoas”, expressou.

Ivanildo Fernandes também está no mesmo “barco” e é um dos frequentadores mais antigos do espaço para lavagem de carro na Laginha. Hoje, com 33 anos, lembra que está nesse ofício desde os 12 anos.

Hoje, sem trabalho, disse à Inforpress estar “catando” para se desenrascar no dia-a-dia e por isso não pode se dar ao luxo de ficar em casa.

“As outras pessoas podem ficar em casa, porque têm os seus salários garantidos, mas nós temos que procurar o nosso sustento, porque ninguém nos vai dar”, lançou, garantindo que antes não tinha muitos problemas com as refeições, já que juntamente com os colegas faziam “repe”, cada um com cem escudos e cozinhavam logo ali no espaço.

Por isso, tanto Fredson como Ivanildo consideraram que seria “muito bom” se pudessem ter uma ajuda das autoridades para poderem se alimentar.

“Se tivéssemos essa ajuda, aí poderíamos até ficar em casa, mas sem ela não vamos morrer de fome”, salientou Fredson Lopes.

A mesma opinião é defendida por Ivanildo Fernandes, que deixa transparecer ter mais medo da fome do que do covid-19, e que assegurou ser essa mesma situação vivida pelos vários colegas, com quem a Inforpress não conseguiu falar, uma vez que, precisamente na hora da reportagem, a polícia tinha feito a ronda para os dispersar.

De recordar que o presidente da Comissão Política Regional do Partido Africano para Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Alcides Graça, sugeriu à Câmara Municipal de São Vicente, entre 12 propostas de mitigação dos efeitos do novo coronavírus, a recuperação do projecto da casa da sopa, oferecendo uma refeição quente aos carenciados, sobretudo para aqueles que ganham o pão na rua, designadamente os lavadores de carro.

O Estado de Emergência de 20 dias, o primeiro em toda a história da República de Cabo Verde, termina às 24:00 da próxima sexta-feira, 17.

Com esta medida, a população é obrigada ao dever geral de recolhimento, com limitações aos movimentos, empresas não essenciais fechadas e todas as ligações inter-ilhas e para o exterior suspensas.

O País regista até então dez casos confirmados, sendo um em São Vicente, três na cidade da Praia e seis na Boa Vista, entre os quais um óbito, um cidadão inglês de 62 anos, que se encontrava de férias na ilha.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 109 mil mortos e infectou quase 1,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Dos casos de infecção, quase 360 mil são considerados curados.

Fonte: Sapo.cv


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