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Boa Vista com reforço de médicos, policias e militares

Written by on 16/04/2020

As autoridades de saúde e policiais cabo-verdianas reforçaram nas últimas horas a presença na Boa Vista, que regista 51 casos de covid-19, com o primeiro-ministro, de visita à ilha, a pedir uma resposta eficaz no terreno.

“OGoverno tudo tem feito e tudo fará para proteger o país e os cabo-verdianos, particularmente da Boa Vista, nesta crise da pandemia da covid-19. Mas, mais do que nunca, a responsabilidade individual tem impacto no bem comum. Se cada um fizer a sua parte saíremos todos mais fortes desta crise”, afirmou o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, ao chegar à Boa Vista.

De acordo com informação do Governo de Cabo Verde, depois de confirmados só na quarta-feira mais 45 novos casos de covid-19 naquela ilha, todos trabalhadores de um hotel que já estava em quarentena desde 19 de março, foram mobilizadas equipas com cinco médicos especialistas, enfermeiros e equipamento de apoio, para reforço da estrutura local de saúde.

Para reforçar o patrulhamento em pleno estado de emergência em todo o país, entretanto prorrogado na Boa Vista até 02 de maio, com regras de confinamento decretadas e quarentenas domiciliares obrigatórias, foi ainda mobilizado nas últimas horas um contingente de militares e um grupo do Corpo de Intervenção da Polícia Nacional, divulgou o Governo.

Na Boa Vista, o primeiro-ministro está acompanhado do ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, e do ministro da Saúde e Segurança Social, Arlindo do Rosário, prevendo reuniões com as autoridades e instituições locais.

Ulisses Correia e Silva diz que são necessárias medidas “para responder eficazmente às consequências da covid-19 na ilha”.

O primeiro-ministro cabo-verdiano afirmou na quarta-feira que o que aconteceu num hotel em quarentena na ilha da Boa Vista, com 45 novos casos de covid-19, representa uma “dura lição”, assumindo “erros” e garantindo que vai “endurecer” as medidas de isolamento.

“O que aconteceu na Boa Vista é um exemplo daquilo que não pode acontecer. O Governo assume as falhas e erros que possam ter sido cometidos, apesar de ter cumprido os protocolos internacionalmente exigidos”, afirmou Ulisses Correia e Silva, numa mensagem ao país, poucas horas depois de confirmados mais 45 casos de covid-19 em funcionários do hotel Riu Karamboa, que cumpriram no seu interior 23 dias de quarentena.

No domingo, perante forte pressão dos próprios a partir do interior, as autoridades de saúde locais deixaram que os cerca de 200 trabalhadores terminassem a quarentena no hotel, passando para quarentena domiciliária.

No entanto, rapidamente surgiram relatos públicos de incumprimento dessas medidas no exterior, bem como das medidas de proteção individual no interior do hotel, que registou em 19 de março o primeiro caso de infeção pelo novo coronavírus em Cabo Verde, um turista inglês, de 62 anos, que acabou por morrer poucos dias depois.

Na mensagem ao país, Ulisses Correia e Silva afirmou estar a ser “claro” ao apontar igualmente “responsabilidades” aos trabalhadores em quarentena no hotel: “Sob que tipo de protesto for, é de extrema gravidade a irresponsabilidade de promover, estimular ou incitar trabalhadores em quarentena à rebelião ou motim contra forças de segurança. Assim como foi de uma grande irresponsabilidade o não cumprimento de regras de confinamento nos quartos e as regras de distanciamento, importantes para garantir não efeitos de contágio”.

E o primeiro-ministro acrescentou: “É de irresponsabilidade ainda maior o não cumprimento rigoroso do isolamento depois da saída do hotel para as suas residências. Como resultado temos pelo menos 45 casos positivos na Boa Vista derivados da situação do hotel”.

Cabo Verde conta até ao momento com 55 casos confirmados de covid-19 no arquipélago, um dos quais levou à morte do doente e outro já foi considerado recuperado. Deste total, três registaram-se na ilha de Santiago e um na ilha de São Vicente.

Os restantes 51 foram registados na Boa Vista, sendo que além dos 50 naquele hotel, foi confirmado ainda em março outro caso, de uma turista dos Países Baixos.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 133 mil mortos e infetou mais de dois milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 436 mil doentes foram considerados curados.


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