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Covid-19: Pais e encarregados de educação na Brava apreensivos com o inicio das aulas pelos meios anunciados pela ministra

Written by on 16/04/2020

Os pais e encarregados de educação da Brava demonstram-se “bastantes preocupados” com o início das aulas à distância a 20 de Abril, anunciado terça-feira pela ministra da Educação, tendo em conta que nem todos possuem condições para tal.

Numa ronda feita pela ilha, a Inforpress conversou com pais e encarregados de educação de diversas localidades, não só da Vila de Nova Sintra, mas também de Cachaço, Lomba Tantum, aldeias onde o sinal da televisão e da rádio pública não chega, contentando-se apenas com a rede móvel que, segundo os moradores, é “muito fraca” e a quase “ausência da rede da internet”.

Jaqueline de Barros, residente em Lomba Tantum e presidente da associação comunitária, em declarações à Inforpress, explicou que nem tinha tido conhecimento deste facto, uma vez que não tem acesso à informação, devido à ausência dos sinais.

Além disso, acentuou que nem todas as famílias possuem televisão ou rádios nas suas casas e que a zona “é constituída, na maioria, por analfabetos”, segundo um estudo.

A responsável comunitária questionou como é que estas crianças e alunos vão ter o devido acompanhamento.

Segundo a mesma, “não há muito a adiantar sobre o assunto”, porque já é “conhecida a dor dos moradores desta zona no que tange ao acesso à informação”.

João Paulo Gomes Silva, morador de Nova Sintra, disse que, enquanto professor e pai, a sua opinião é “bem clara”.

“Considero-a uma boa medida sim, mas que não é viável, tendo em conta a realidade do país e da Brava, em particular, onde temos localidades que não captam o sinal da rádio e da televisão pública, como são os casos de Cachaço, Lomba, Pau, Nossa Senhora do Monte, e algumas zonas da Vila de Nova Sintra”, apontou.

O docente defendeu que o Ministério da Educação “deve ponderar”, voltar atrás nesta medida e ver uma outra forma de contornar esta situação.

Sem ser disso, elencou também que há casos de pais que não têm aparelhos de rádio e televisão e outros que sequer têm energia eléctrica em casa.

Na localidade de Cachaço, a moradora e encarregada da educação Benvinda Pinto, questionou esta mesma medida, avançando que na zona, além de não ter sinais de rádio e televisão pública, nem todos possuem os aparelhos.

Realçou que mesmo que houvesse sinal, em casas que têm televisão ou rádio, os alunos poderiam assistir às aulas, mas sublinhou que os outros, que nem luz eléctrica possuem, ficariam prejudicados, porque com o estado de emergência não seria possível apoiá-los.

Segundo a mesma fonte, “é preciso pensar em todos os alunos e pensar numa forma em que ninguém fica prejudicado, devido a uma situação que não se estava à espera”.

A mesma defendeu ainda que “não é mal” um programa para manter os alunos actualizados, mas que se deve pensá-lo e estruturá-lo, de acordo com a realidade do país e das ilhas.

Na localidade de Fajã d´Água, os moradores ouvidos pela Inforpress levantaram também as mesmas questões e preocupações, que inquietam os pais e encarregados de educação na ilha.

Maritza Rosabal anunciou, na terça-feira, que as aulas reiniciam no dia 20 de Abril, com aulas transmitidas na televisão e na rádio e com disponibilização de fichas de estudo.

Fonte: Sapo.cv


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