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Covid-19: Governo “particularmente preocupado” com a comunidade cabo-verdiana nos Estados Unidos

Written by on 29/04/2020

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, declarou-se ontem “particularmente preocupado” com a comunidade cabo-verdiana nos Estados Unidos, onde já foi morreram mais de 30 conterrâneos vítima da covid-19, estando ainda um grande número de infectados entre a comunidade.

O chefe do Governo falava durante um encontro com os embaixadores e chefes de missão no exterior, através da videoconferência, para analisarem conjuntamente o impacto do covid-19 nas comunidades emigradas.

Ulisses Correia e Silva salientou que a diáspora cabo-verdiana está a ser duplamente afectada pelo facto de estarem em países com forte impacto da pandemia da covid-19 e pelo facto também de ter a ligação muito forte com Cabo Verde.

O primeiro-ministro aproveitou a oportunidade para endereçar condolências às famílias que tiveram perdas humanas e mensagens de esperança a todos cabo-verdianos espalhados pelo mundo e manifestou preocupação, em particular, com a comunidade residente nos EUA.

“Nos outros países temos também informação de falecimento, mas essa concentração em Boston, e particularmente em Brockton, exige que façamos um endereço muito especial, porque a exposição é grande não só relativamente às pessoas que foram infectadas, as mortes registadas, mas o impacto sobre a nossa comunidade que tem uma representação importante nessa cidade americana que coloca-nos numa situação de preocupação adicional”, disse o chefe do Governo.

De acordo com cônsul honorário em Boston, Herminio Moniz, só na região de Brockton estado de Massachusetts, já morreram mais de 30 cabo-verdianos e havendo ainda um grande número de pessoas infectadas.

Conforme adiantou, a maioria dos cabo-verdianos residentes na região trabalha nos serviços essenciais, como limpeza e nas fábricas, tendo que trabalhar mesmo durante o período de contingência, o que poderá justificar, na sua perspectiva, a alta taxa de contaminação no seio dos cabo-verdianos residentes em Brockton, Massachusetts.

De acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades, Luís Filipe Tavares, do encontro deu para estimar que a nível global já morreram mais de 42 cabo-verdianos de covid-19. Para além dos Estados Unidos há também registos de óbitos em Espanha, na França, Itália e Portugal.

Luís Filipe Tavares adiantou que as embaixadas e consulados vão continuar a trabalhar com as associações dos emigrantes para minorar o sofrimento das famílias vulneráveis e das pessoas que estão a sofrer neste momento.

Por outro lado, o governante realçou o apoio social que as comunidades emigradas, mesmo em situação complicada, têm dado às famílias em Cabo Verde, sobretudo, as mais carenciadas.

“Apesar de todas as dificuldades por que têm passado, têm continuado a ajudar os cabo-verdianos aqui, as famílias residentes em Cabo Verde. Nós registamos quantias importantes que têm sido enviadas em remessas para as nossas famílias e comunidades em Cabo Verde, mas também donativos de vária ordem”, disse agradecendo o gesto.

Sobre os pedidos para a realização dos voos de repatriamento dos cabo-verdianos espalhados pelo mundo, que já manifestaram o desejo de regressar, Luís Filipe Tavares indicou que o Governo está a trabalhar com os consulados e as embaixadas, analisando caso a caso para encontrar as melhores soluções.

“Como sabem, neste momento não há voos entre Cabo Verde e os países europeus e com EUA. O espaço aéreo está fechado. Nós vamos analisando e acompanhando. Claro que registamos todos os pedidos. Temos pedidos do Brasil, de Portugal, da França, da Bélgica e dos EUA. Nós vamos analisar com muita responsabilidade e encontraremos com as nossas embaixadas e as autoridades dos países de acolhimento as soluções para resolvermos esses problemas”, disse.

O governante aproveitou para exortar os cabo-verdianos em todos os países do mundo a cumprirem rigorosamente as recomendações e instruções das autoridades sanitárias e políticas dos países de acolhimento.

A pandemia de covid-19, que já ultrapassou os três milhões de infectados, matou mais de 211 mil pessoas em todo o mundo desde que surgiu em Dezembro na China, segundo um balanço da AFP às 09:00 de hoje.

Os Estados Unidos, que registaram a primeira morte ligada ao coronavírus no final de Fevereiro, lideram em número de mortos e casos, com 56.253 e 988.469, respectivamente.

Fonte: Sapo.cv


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