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Cabo Verde Airlines aumentou passageiros em 136% após entrada de islandeses

Written by on 06/05/2020

A Cabo Verde Airlines (CVA) transportou quase 345 mil passageiros no primeiro ano após a privatização de 51% da companhia, um aumento de 136% face ao período anterior, segundo dados fornecidos hoje à Lusa pela empresa.

Questionada pela Lusa sobre o desempenho da companhia após a privatização, em 01 de março de 2019, a administração da CVA, liderada pelo grupo Icelandair, referiu que transportou, até 28 de fevereiro de 2020, um total de 344.639 passageiros, apenas com rotas internacionais.

Esse registo compara com os 145.629 passageiros transportados de março de 2018 a fevereiro de 2019, pela então TACV (Transportes Aéreos de Cabo Verde), que era totalmente detida pelo Estado cabo-verdiano.

“Após a privatização bem-sucedida da Cabo Verde Airlines, a implementação da estratégia de ‘hub’ no Sal, de conectar quatro continentes, mostrou um aumento imediato do número de passageiros. Esse crescimento bem-sucedido continuou ao longo de 2019″, explicou, a propósito destes números, o presidente do conselho de administração e diretor executivo da CVA, Erlendur Svavarsson.

Contudo, a companhia, que tem 330 trabalhadores, suspendeu em 18 de março a atividade operacional, face à decisão do Governo de Cabo Verde de encerrar o país a voos internacionais, para conter a pandemia de covid-19. Nas semanas anteriores, a transportadora já tinha começado a suspender várias rotas, face a restrições impostas também nos países de destino.

“O primeiro trimestre de 2020 foi, contudo, fortemente influenciado pela covid-19, com a procura a cair no final de fevereiro e nenhum voo operado após o dia 18 de março”, realçou Erlendur Svavarsson.

A companhia mantém, contudo, a perspetiva de retomar as operações em 01 de julho, “sujeita às recomendações da Organização Mundial de Saúde e possíveis restrições locais” nos destinos onde opera, garantiu o gestor islandês.

“A equipa da CVA está a trabalhar arduamente para se preparar para o reinício das operações a 01 de julho e estamos ansiosos para receber passageiros na nossa companhia aérea confiável e eficiente e prestar um serviço que marque a diferença”, disse.

Em março de 2019, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da então empresa pública TACV por 1,3 milhões de euros à Lofleidir Cabo Verde, uma empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF (que ficou com 36% da CVA) e em 30% por empresários islandeses com experiência no setor da aviação (que assumiram os restantes 15% da quota de 51% privatizada). Outra parcela, de 10%, foi vendida no segundo semestre de 2019 a trabalhadores e emigrantes cabo-verdianos.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla inglesa), confirmou em 29 de abril, oficialmente, a suspensão da CVA do plano de venda de bilhetes BSP, mas a companhia garante estar a negociar uma solução.

“A Cabo Verde Airlines foi suspensa do Billing and Settlement Plan (BSP) da IATA”, confirmou à Lusa fonte oficial daquela organização, depois de a mesma informação já ter sido veiculada por agências de viagens em Portugal, convidadas pela organização internacional a suspenderem imediatamente a emissão de bilhetes em nome da companhia aérea cabo-verdiana.

Questionada anteriormente pela Lusa, a administração da companhia confirmou que está “a trabalhar diligentemente com a IATA para resolver esta suspensão o mais rápido possível”.

“Estamos a trabalhar arduamente para responder a todos os requisitos e obrigações mandatórios para regularizar todos os processos. Estes desenvolvimentos levam tempo e a Cabo Verde Airlines, com o apoio de seus acionistas, espera resolver esta questão de forma a vender bilhetes em tempo útil, antes de retomar as operações no dia 01 de julho”, lê-se na resposta da CVA.

A administração acrescentou que “as companhias aéreas do mundo, incluindo a Cabo Verde Airlines, estão a sofrer perdas de receita sem precedentes durante estas circunstâncias excecionais que criaram uma pressão severa nas finanças da companhia aérea”.

O ministro do Turismo e dos Transportes, Carlos Santos, criticou, no final de abril, a “nebulosa que se quer criar” à volta da companhia, aludindo às dúvidas da oposição sobre a situação da CVA.

“Obviamente que com a chegada da covid-19, é inegável também notarmos que, com uma quase anulação das vendas da companhia, a própria matemática diz que iria haver um défice dessa companhia. E é isso que nós estamos a verificar. E aquilo que acontece com a IATA é simplesmente um não cumprimento da parte da companhia”, afirmou, sem concretizar os motivos.

Carlos Santos garantiu ainda que o Governo mantém a aposta na CVA, por se inserir “na estratégia de desenvolvimento do país”, com a implementação de um ‘hub’ aéreo na ilha do Sal, para servir voos de África, América e Europa.

Em 22 de março, em entrevista à Lusa, o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, afirmou que a CVA será uma das empresas objeto de medidas de apoio à economia e que a alienação dos 39% que o Estado ainda detém na companhia será adiada.

O presidente da companhia, Erlendur Svavarsson, disse também à Lusa que os acionistas islandeses trabalham numa solução financeira de longo prazo e acreditam que, apesar de afetado, o projeto não está em causa, embora precisem do apoio do Governo cabo-verdiano.

Fonte: Sapo.cv


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