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Milhares de noruegueses mobilizam-se contra o racismo

Written by on 05/06/2020

Milhares de pessoas reuniram-se hoje em várias cidades da Noruega em solidariedade com o afro-americano George Floyd, mortos a 25 de maio sob custódia da polícia norte-americana, e para denunciar as discriminações raciais em todo o mundo.

“Oracismo é também uma pandemia” e “as vidas dos negros contam” foram palavras de ordem nos protestos que decorreram no país, apesar das regras sanitárias impostas devido à covid-19, que limitam a liberdade de manifestação e de reunião.

Em Oslo, os manifestantes, a quase totalidade deles com máscara ou com lenços na cara, reuniram-se defronte do Parlamento e da embaixada dos Estados Unidos, edifícios que estavam protegidos por barreiras.

Os manifestantes cumpriram também oito minutos e 46 segundos de silêncio, o tempo que um agente da polícia asfixiou Floyd até o afro-americano morrer.

Os protestos, que decorreram sem incidentes, foram tolerados pela polícia, que optou por “fechar os olhos” ao desrespeito pelas regras sanitárias.

Para lutar contra a pandemia do novo coronavírus, a Noruega limitou a 50 o total de participantes em manifestações, que têm de estar separados no mínimo por um metro.

“A polícia e a sociedade no seu conjunto dão uma grande importância à liberdade de expressão. A polícia não vai reagir”, explicou um responsável policial, Svein Arild Jorundland, à cadeia de televisão norueguesa NRK.

O Governo norueguês manifestou publicamente “inquietação” face à situação nos Estados Unidos, face às manifestações e á violência registada após a morte de Floyd.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu a 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de a vítima dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Pelo menos 10 mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, e as autoridades impuseram recolher obrigatório em várias cidades, incluindo Washington e Nova Iorque, enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, já ameaçou mobilizar os militares para pôr fim aos distúrbios nas ruas.

Os quatro polícias envolvidos foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.

O julgamento começa segunda-feira.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (cerca de 1.900 escudos) numa loja.


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