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Alegações de abusos sexuais pelo clero triplicaram nos Estados Unidos

Written by on 26/06/2020

A Igreja Católica dos Estados Unidos registou 4.434 queixas de abuso sexual contra o clero em 2019, o triplo das registadas no ano anterior, de acordo com o relatório anual da organização divulgado hoje.

Oaumento é justificado, na maioria, por uma vaga de processos e queixas por parte de sobreviventes de décadas de abuso por parte de elementos da hierarquia da Igreja Católica dos Estados Unidos.

No relatório anual sobre abuso sexual de clero, as dioceses e outras entidades católicas relataram ter pagado 281,6 milhões de dólares (cerca de 251 milhões de euros) de custos relacionados com alegações de abuso sexual, incluindo pagamentos por casos de anos anteriores.

Apenas 37 das novas alegações foram feitas por menores no ano analisado no relatório.

Destas, oito queixas foram fundamentadas, enquanto a maioria das outras estavam ainda sob investigação ou tinham sido consideradas como não comprovadas.

Nos últimos três anos tem havido um enorme aumento global de alegações de abusos sexuais contra a Igreja Católica, uma vez que as dioceses enfrentaram uma pressão sem precedentes para resolver o problema de décadas, que é o abuso sexual por parte de padres e bispos.

Foram feitas 693 alegações no relatório de 2017 e 1.451 no relatório de 2018.

Os casos citados no novo relatório envolvem 2.982 padres e outro pessoal da igreja.

Das alegações, 1.034 foram comprovadas, muitas outras permaneceram sob investigação ou não puderam ser provadas, aponta o documento.

Muitas dioceses dos EUA tornaram-se alvo de investigações estatais após um relatório do grande júri da Pensilvânia, em agosto de 2018, ter pormenorizado centenas de casos de alegados abusos.

Em fevereiro de 2019, o antigo cardeal Theodore McCarrick foi expulso do sacerdócio por abuso sexual de menores e seminaristas, e os investigadores têm procurado determinar se algumas figuras católicas proeminentes encobriram as suas transgressões.

Muitas dioceses dos EUA estabeleceram programas de compensação para vítimas com alegações credíveis de abuso e algumas alegaram falências como forma de proteção.

Centenas de novas alegações surgiram em processos judiciais, na sua maioria apresentados por homens na faixa dos 40, 50 e 60 anos, que alegaram ter sido abusados quando crianças.

Os processos podem aumentar ainda mais no corrente ano fiscal, uma vez que em Nova Iorque, Nova Jersey, Califórnia e noutros locais foram aprovadas alterações ao estatuto de limitações, dando às vítimas de abuso de longa data novos prazos para processar a igreja e outras instituições.

O novo relatório também detalha os esforços da instituição para combater os abusos.

Em 2019, segundo o relatório, foram realizados mais de 2,6 milhões de inquéritos sobre o clero, empregados e voluntários, e mais de 2,6 milhões de adultos e 3,6 milhões de jovens receberam formação sobre a identificação de sinais de alerta de abuso e sobre a forma de os denunciar.

Este é o 17º relatório publicado desde 2002, quando os bispos dos EUA estabeleceram e adotaram um conjunto abrangente de procedimentos para abordar as alegações de abuso sexual.

A Rede de Sobreviventes Abusados por Sacerdotes (SNAP, na sigla em inglês), que defende os sobreviventes de abusos sexuais do clero, expressou preocupação com a parte do relatório que indica que apenas 60% das paróquias a nível nacional estavam a realizar auditorias de segurança por conta própria.

“Continuamos convencidos de que o melhor caminho para a mudança é através de funcionários seculares eleitos, como os procuradores-gerais”, disse a SNAP.

“Todos os procuradores-gerais deveriam investigar casos de abuso do clero no seu estado, identificando os facilitadores e retirando-os do poder, e assegurando que os abusadores ocultos sejam dados a conhecer às suas comunidades”, sustentou.


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